Contrato com a firma Steimann & Cia. de Antuérpia 

 

O contrato estabelecido com a firma Steimann & Cia., de Antuérpia, enviava para Brusque novas levas, sucessivas, próximas umas das outras, de imigrantes, numa evidente prova de que a propaganda feita pela mesma nos países da Europa Central era eficiente. Colonos originários de Emden, de Oldenburg, da Renânia, do Holstein, da Baviera, de Baden, continuavam a desembarcar na Barra do Rio, tomando o caminho da Colônia Itajaí, aumentando o seu potencial humano e, iniludivelmente, as preocupações e os trabalhos do velho Barão.

Sobre esta propaganda, aliás, refere-se de maneira bastante elucidativa Emílio Willems, que em Brusque mesmo, faz alguns anos, colheu dados para demonstrar o seu poder de penetração entre as populações germânicas.

Não subestima o ilustre escritor o fator econômico. Citando Hans Gehse, revela que "nas regiões mencionadas do Sul e Sudoeste da Alemanha, depois de cada colheita má, principalmente na Badênia e no Palatinado, a fome forçava milhares de sitiantes alemães a emigrarem, tornando-os uma presa fácil de agentes estrangeiros". Não esconde que a divisão territorial, a fragmentação da propriedade rural nas repetidas sucessões, levava muitas vezes à miséria, quando não a uma situação de dependência do primogênito, a quem se transmitia a propriedade. Estas situações levavam à emigração. Mas considera que seria um erro considerar os fatos econômicos ou administrativos como os únicos motivos do êxodo, pois, apoiado em Hermann von Freeden e Georg Smolka, "frequentemente não eram os mais pobres que emigravam, e a emigração continuava mesmo quando a situação do país já se havia tornado favorável, mais favorável às vezes, do que a situação do país de imigração". E conta haver entrevistado, em dezembro de 1931, velho colono de Brusque, derradeiro sobrevivente da primeira leva chegada em 1860, um badense que lhe declarou que na sua zona, não havia a menor necessidade de emigrar. A situação econômica de sua família e das demais da localidade, era boa. "Mas, agentes estranhos os haviam convencido das vantagens concedidas aos imigrantes, no Brasil. Tais promessas levaram os camponeses a venderem as suas propriedades, a fim de procurar uma vida mais fácil na América".

Se verificarmos a quantidade de badenses que entraram, não na primeira, mas na segunda leva, em 1860, seremos forçados a concluir, tomando por base o depoimento colhido por Willems, que a propaganda dos agentes da Casa Steimann era positivamente eficiente...

 

CABRAL, Oswaldo Rodrigues. Brusque, subsídios para a história de uma colônia nos tempos do Império. Brusque: edição da Sociedade Amigos de Brusque, 1958. p. 47-48.