O pioneiro Daniel Xavier Imhof nas décadas de 1910 e 1920
Francisco Daniel Imhof
Daniel Xavier Imhof (*06.01.1884 +20.07.1967 - Brusque, SC), era filho do imigrante alemão Leopold Imhof e da imigrante italiana Catterina Maria Maddalena Carneri. Casou-se em 28.05.1910 com Anna Boos, com quem teve dez filhos: Alma, Paulo, Olga, Arnaldo (Naldo), Ana, Marcelino (Lino), Olenka, Ovídio José (Vídio), Ilse e José (Zé).
Ele foi pioneiro no transporte de documentos e encomendas para o Correio entre as cidades de Brusque e Florianópolis, na década de 1910 e na primeira metade da década de 1920, quando detinha exclusividade na prestação desse serviço.
Naquela época, havia uma grande demanda por pregos, que eram largamente empregados nas construções, onde era utilizada muita madeira, e Daniel Xavier Imhof também fazia o transporte de pregos produzidos em Florianópolis pela fábrica Carl Hoepcke & Cia., empresa fundada pelo imigrante alemão Carl Franz Albert Hoepcke. Carl Hoepcke possuía uma grande casa comercial, com um depósito completo de toda a sorte de gêneros e artigos, importados diretamente das principais praças da Europa e conduzidos por uma frota de navios a vapor e a vela. Em razão de falar o idioma alemão, Daniel Xavier Imhof mantinha um excelente relacionamento com a empresa Carl Hoepcke.
Daniel Xavier Imhof também conduzia a Florianópolis pessoas em busca de emprego, especialmente mulheres que falavam o idioma alemão e que eram muito requisitadas para trabalhar em casas de famílias de origem alemã, indicadas pela empresa Carl Hoepcke.
Numa de suas viagens, conduziu a sua prima Alma Imhof, filha de Francisco Xavier Imhof e Elysabetha Butsch, que seguiu a Florianópolis a fim de trabalhar na casa da família do médico alemão Dr. Richard Gottsmann (cirurgião plástico) e de sua esposa Anne, onde iria ter sob seus cuidados o filho Ricardo Wolfgang Gottsmann, por indicação do seu irmão Carlos Imhof (Calinho), que trabalhava no Colégio Catarinense.
Em suas longas e demoradas viagens, Daniel Xavier Imhof utilizava-se de uma carroça coberta por um toldo e puxada por uma parelha de cavalos. Esse toldo era cuidadosamente guardado em um depósito rústico que mantinha anexo à sua casa. Ele possuía quatro cavalos que eram revezados nesses deslocamentos.
Suas viagens constituíam-se em autênticas aventuras, demorando em torno de uma semana entre a ida e a volta, e exigiam muita paciência e cautela, pois eram percorridos mais de 200 km de estradas de terra batida, com muitos trechos íngremes e sinuosos.
No primeiro dia de viagem tinha de enfrentar o primeiro desafio, que consistia no difícil trajeto da serra do Moura, no atual município de Canelinha, que pertenceu ao município de Tijucas até 1962.
Como naquela época ainda não existia o traçado da rodovia BR-101, Daniel Xavier Imhof utilizava-se de uma estrada onde havia uma ponte estreita, de estrutura metálica e piso de madeira, sobre o rio Tijucas, que permitia a passagem de somente um veículo por vez.
À noite, fazia uma parada na localidade de Timbé, na zona rural do município de Tijucas, onde pernoitava e alimentava os seus cavalos.
No segundo dia, fazia nova parada para pernoitar na localidade de Tijuquinha, no município de Biguaçu.
No terceiro dia, utilizava balsa para fazer a travessia do Continente para a Ilha.
Em 13 de maio de 1926, quando foi inaugurada a ponte Hercílio Luz, de 821 metros de comprimento e piso de madeira, unindo a Ilha ao Continente, Daniel Xavier Imhof ainda mantinha a mesma rotina, mas logo foi substituído pelo ônibus de Alvim Battistotti.
Esporadicamente, Daniel Xavier Imhof também fazia o transporte de pregos até o município de Lages.
Ele residiu durante a maior parte da sua vida na rua São Leopoldo, na esquina onde atualmente é o início da rua Daniel Imhof, a qual recebeu esta denominação em sua homenagem.
Este artigo foi elaborado com base em informações de Lúcia Podiacki, filha de Alma Imhof Podiacki, em 13.07.2007, e entrevista de Ovídio José Imhof (Vídio), filho de Daniel Xavier Imhof, em 25.07.2007.