Lembranças ginasiais...
Walmor Kling, filho de Augusto Kling, um dos primeiros motoristas de meu pai, não foi colega meu de ginásio, mas juntos estudamos as primeiras letras nas carteiras do amado Colégio Sto. Antônio. Foi seguramente o maior amigo que me atravessou pelo caminho da vida, por suas fidelidade e afeição. Quantas vezes, Hans e eu estávamos sem dinheiro, e ele assumia o pagamento de nossas "Laranjinhas" Max Wilhelm, nas mesas do Bolsoni, do Pigalle e de outros bares existentes ou a famosa limonada comprada no balcão do salão de bilhar do Gracher. Walmor desde cedo trabalhava. Em nossa época de moços, era funcionário da Firma Schloesser. Quantas vezes, junto com Hans, ficávamos até altas horas da noite, sob a luz dos sólidos postes de ferro de iluminação pública importados por meu avô para a distribuição do modesto potencial de sua hidroelétrica (depois arrancados em seu perfeito estado de conservação e substituídos por gigantescos pilares de cimento), conversando longamente sobre coisas sem valor para as pessoas que já haviam saído da adolescência. Foi-se antes do tempo, levando sua bondade e seu companheirismo para onde irão todos os bons, algum dia. Não nos uniu a escola, mas a simpatia recíproca de jovens cheios de sonhos e esperanças. Quando saí de Brusque para outras paragens, diminuíram os encontros e as conversas. Mesmo longe, ajudou-me, certa feita, em uma fase crítica de minha vida. Obrigado amigo!
"Ich hatt'einen Kameraden,
Einen bessern find'st du nicht..."
(Eu tive um camarada,
Melhor não encontrarás...)
BAUER, Quido Jacob. Quando os sinos falavam ao vale.... Blumenau: Odorizzi, 2009. pp. 180-183-184.
Walmor Kling casou-se em 12.10.1957 com Maria Ely Gartner, filha de Jacob Gartner e Maria Imhof Gartner (Mari).