Entrevista de Alma Imhof 

 

Alma Imhof, de Brusque, conta que, quando criança, só uma vez por ano recebia um vestido novo, costurado pela mãe, que antes de receber sua primeira máquina de costura, costurava à noite, à mão, sob a luz de um lampião de querosene aberto. Às vezes essa atividade se estendia até a meia-noite, enquanto o pai de Alma dormia: "Eu acho que por isso ela ficou cega tão cedo, por costurar muito de noite dessa forma".1

 

Para confirmar o costume de uma mesa melhor pelo Natal entre os colonos, temos novamente as palavras de Alma Imhof:

 

Quando eu era mais pequena, não sabia o que era brinquedo, eu nunca tive uma boneca. Quando chegava o Natal e o Ano Novo, nós ganhávamos "cuca", não bolo, "cuca" seca (...). (...) E, macarrão e pão de trigo. O resto do ano era pão de fubá e só (...). (...). Pelo Natal a mãe fazia macarrão, arroz, assava galinha no forno; mas só naquele dia, depois não dava mais macarrão. E pão de trigo. Mas só naquele dia mesmo". E sobre a tradição do "Pencenickel", acrescentou ela referindo-se à obrigação das crianças em manterem limpo o terreiro da casa até o Natal: "Nós quase nos matávamos. Quando chegava o dia do Natal vinha aquele Papai Noel com aquela corrente e jogava na gente (...). (...). As correntes... ele queria amarrar a gente, fazer medo. Meu Deus, quando ele aparecia nos vizinhos, a criançada gritava e a gente já tremia (...). (...) Ele vinha vestido tão feio, oh! Tão feio. Vinha com aquela máscara, às vezes tinha aqueles galhos e com aquela roupa feia, amarrada uma corda, uma corrente (...). (...) Parecia o demônio (...)."  IMHOF, Alma. Entrevista à autora, 1989, IPS, FURB.2

 

1. RENAUX, Maria Luiza. O Outro Lado da História: O Papel da Mulher no Vale do Itajaí  1850 - 1950. Blumenau: Editora da FURB, 1995. p.144.

2. Ibidem, p. 225-226.

 

Alma Groh nasceu em 13.01.1914 e faleceu em 25.03.1997, em Brusque, SC. Ao casar-se com Paulo Imhof, em 18.07.1936, suprimiu o seu sobrenome e passou a usar apenas o do marido, como ocorre na Alemanha, onde a mulher ao casar-se perde o seu sobrenome e passa a usar apenas o do seu cônjuge. Ao ser entrevistada, em 12.09.1989, tinha 75 anos de idade.