Celso Teixeira: "Sou pobre, mas sou importante" 

 

Era madrugada de 29 de julho de 1982. Em Brusque, em um dos quartos do Hospital de Azambuja, às 2h50min, desapareceram os sinais vitais do jornalista e radialista Celso Teixeira. A notícia da sua morte, atestada pelo médico Carlos Moritz, repercutiu em toda Santa Catarina. Além de ser um dos mais importantes comunicadores da Sociedade Rádio Araguaia de Brusque, Celso Teixeira teve participações destacadas em outras emissoras catarinenses, tendo sido correspondente, redator e editor de jornais e revistas.

 

Na década de 1950, quando Osni Mello presidia a Federação Catarinense de Futebol, Teixeira cobriu algumas excursões da Seleção Catarinense como representante da crônica esportiva barriga verde. Para ele, comunicar não era apenas sua atividade profissional, era uma missão.

 

Celso Teixeira nasceu em Brusque em 24 de fevereiro de 1928, filho de Lina e Hermenegildo Teixeira. Desde os 10 anos de idade, por volta de 1938, frequentava o Clube Atlético Carlos Renaux, onde jogava futebol como ponta esquerda ou meia-esquerda, permanecendo lá até 1943. Jogou ao lado de Julinho Hildebrand (que começou carreira como goleiro) e Otávio Bolognini. Também se destacou como jogador de vôlei, do Caxias Esporte Clube, ao lado de Arno Carlos Gracher, Érico Straetz, Rodolfo Clemes, Haroldo Luebke, Geraldo Luebke, Júlio Hildebrand e Luiz Schaefer.

 

Seu interesse pelo rádio começou em Florianópolis, em 1943, quando aos quinze anos de idade era estudante da Escola Industrial, atual Escola Técnica Federal. Aos sábados, frequentava a Confeitaria Chiquinha, na rua Felipe Schmidt, onde um alto-falante transmitia a programação da rádio local. Em 1945, decidiu abandonar seus estudos e retornar para Brusque, para trabalhar na Tipografia Leão Dehon.

 

Na época, Raul Schaefer já projetava um empreendimento pioneiro para a comunicação de Brusque, a instalação de uma emissora de rádio. Era o embrião da Sociedade Rádio Araguaia de Brusque. O próprio Teixeira lembrou dos primeiros tempos da Rádio Araguaia:

 

"A Rádio Araguaia funcionou com um transmissor caseiro, modesto, de oitenta, noventa centímetros de altura, da antiga Rádio Guarujá. Até que surgiu a oportunidade para mim, quando o Valdir de Borba era locutor, mas estava deixando a Araguaia. A rádio funcionava na rua Rui Barbosa, esquina com a rua Adriano Schaefer, no tradicional Pombal. A técnica ficava para o lado da rua Adriano Schaefer."

 

Celso Teixeira começou carreira, como locutor, na Rádio Araguaia, a convite de Raul Schaefer. O teste foi feito com leitura de anúncios de jornal. Conviveu com os comunicadores Valdir Borba, Jota Duarte, Valdir Bianchini, Mário Bianchini, Nivert Debrassi, Lauro Müller, Euvaldo Schaefer, João Alfredo Medeiros Vieira...

 

Passou a ser cronista esportivo da emissora em 1953. Em maio de 1954, Teixeira e outros profissionais da comunicação social criaram em Brusque uma associação de cronistas esportivos. Viajou com as delegações do Clube Atlético Carlos Renaux e do Clube Esportivo Paysandu durante suas excursões, como narrador ou comentarista esportivo. Foi contemporâneo dos comunicadores Antônio Heil, Aderbal Vicente Schaefer, Jota Duarte, Rubens Facchini, Augustinho Maurici, Alfredo Alberto, Camargo Filho e Vieirinha, que fizeram história transmitindo jogos.

 

Teixeira casou-se dia 16 de outubro de 1954 com Anna Orlanda Gartner, com quem teve três filhos: Celso Luís, Leila Aparecida e Carlos Alberto Teixeira.

 

Em Brusque, Celso Teixeira também foi correspondente de jornais de circulação estadual e regional, como os florianopolitanos O Município e A Verdade, e foi proprietário do jornal O Tempo, em 1973. Em Ibirama, para onde se transferiu em meados da década de 1950, foi gerente da Rádio Estadual, atual Rádio Belos Vales.

 

De Ibirama, Celso Teixeira transferiu-se para Rio do Sul, onde atuou na Rádio Mirador.

 

Teixeira não escondia sua paixão pelo futebol: tinha seus clubes do coração - Botafogo, no Rio de Janeiro, e Clube Atlético Carlos Renaux, em Brusque, no qual desempenhou várias funções. Pouco antes de morrer, Teixeira ainda apresentava o programa Noturno, de segunda a sexta-feira, das 22 às 23 horas, no qual rodava uma seleção musical eclética.

 

Celso Teixeira era um sonhador, como definiu sua irmã, Matilde Teixeira Pozzi - que morou com ele em Rio do Sul, na época de seu trabalho na Rádio Mirador:

 

"Ele venceu a tuberculose, em 1948, no hospital, em Florianópolis. Ele dizia que nas rodovias deveriam ser plantadas árvores frutíferas e flores, para que as pessoas pudessem admirar e colher. Foi candidato a vereador, mesmo sabendo que não iria ganhar, só para, durante a campanha, ter uma oportunidade a mais para conhecer muitas pessoas. Apoiava o teatro, a cultura em geral. Ele levava a vida sorrindo, brincando. Dizia coisas como: "Sou feio, mas sou gostoso!", "Sou pobre, mas sou importante!". Era perseverante, muito humilde. Fazia serenatas...

 

ADAMI, Luiz Saulo; ROSA, Tina. Brusque vai à Guerra: novas visões da história. Brusque: S&T Editores, 2007. pp. 418-419-420-422-423.

 

Celso Teixeira (*24.02.1928 +29.07.1982), casou-se em 16.10.1954 com Anna Orlanda Gartner (Landa), filha de Jacob Gartner e Alma Imhof Gartner.